Água
A água, além de vital e fonte recreativa, torna-se dia a dia um recurso econômico valioso. Orla livre sim, mas com água limpa! No momento Belém trata muito mal o rio Guamá e a baía do Guajará.
- I Seminário Nacional sobre Regeneração Ambiental das Cidades: Águas Urbanas
- Água (UNESCO) (em espanhol)
- Campanha da Fraternidade 2004: "Água, fonte de vida" (CNBB)
Conferência das Águas
A Conferência Estadual das Águas, organizada por várias entidades e movimentos sociais, que reuniu 600 pessoas de diversas regiões às margens do rio Tocantins, no município de Cametá, lançou o desafio de intensificar o debate e a formação sobre os recursos hídricos na Amazônia, no Brasil e no Mundo.
A região amazônica possui dois terços (63,6%) da água doce brasileira. O Estado do Pará detém o maior potencial hídrico do Brasil, com 23,5%. Esse potencial encontra-se, principalmente, nos rios Tocantins, Araguaia, Xingu, Tapajós e Amazonas. Dados da Coalizão dos Rios Vivos estimam que há projetado para a região cerca de 50 hidrelétricas, sob a mesma lógica que tem sido construída nestes últimos anos, que é a de garantia energética para os grandes projetos, repassando os custos para o meio ambiente e à população, com a novidade de que a produção de energia hoje está ligada à integração na área de transporte.
O exemplo que melhor ilustra o alto custo desses projetos é Tucuruí. A hidrelétrica de Tucuruí foi projetada nos anos 70, quando houve duas crises do petróleo que forçaram a transferência das indústrias energo-intensivas para países que possuem grandes potenciais energéticos, como o Brasil. O custo desse processo foi o aumento da dívida externa, a destruição do meio ambiente e o aumento da pobreza na região.
A Conferência das Águas debateu temas como esse e constatou que, no Pará, milhares de famílias sofrem, ainda hoje, com as conseqüências da barragem de Tucuruí. Os ribeirinhos e ribeirinhas, camponeses e camponesas, pescadores e pescadoras padecem com a poluição, a diminuição do peixe e com a inundação das terras agricultáveis.
Outro grande problema debatido na Conferência foi o acesso à água de qualidade na região. Dados estimam que o déficit de abastecimento é de 77,82%, duas vezes a média nacional. No Estado do Pará, apenas 42,64% possuem sistema de abastecimento, sendo que, no meio rural, esse número é de 3,96%. Estima-se que na Região Metropolitana de Belém esse número chegue a 70 mil pessoas, sendo que 45 mil habitantes têm renda familiar mensal de até três salários mínimos.
Dessa forma, o que marcou a Conferência foi a necessidade de criar no Estado do Pará um grande processo de mobilização que possa envolver toda a sociedade na construção de um outro modelo de desenvolvimento para a região. Sendo que as bases para esse novo modelo são: garantir a participação da população em todos os processos, como planejamento, decisão e execução, que diz respeito à questão hídrica na Amazônia; colocar como critério fundamental as questões sociais e ambientais e não as necessidades das grandes indústrias; o fim do subsídio às indústrias de alumínio na região; priorizar pesquisas que viabilizem fontes de energia alternativa; ajudar a preservar afluentes, vertentes e poços de água potável; não desperdiçar e poluir as águas; lutar contra a privatização da água; visualizar quais os efeitos da construção de hidrovias na vida das pessoas, dos povos e da natureza.
Os participantes da Conferência estão conscientes de que a discussão da problemática da água, a partir do espaço político da Amazônia, insere em seu bojo um debate que é essencialmente nacional e mundial, que coloca a água, bem natural, como elemento fundamental para o desenvolvimento e garantia de vida para nossa geração e às gerações futuras. Para a população da Amazônia, em especial, a água “tem uma dimensão vital”, o rio é fonte de alimento, de cultivo e de vida. O rio é o caminho da esperança de uma vida nova e do encontro com a nova humanidade. Os cabos foram soltos. Cabe agora navegar.
Lindomar Silva (O Liberal, 01 de abril de 2004, Artigos do Dia)
Sóciologo da CNBB Norte
