Belém do Pará nasceu do amor geográfico entre o rio Guamá e a bela baía do Guajará. É água por baixo dos igarapés e rios, é água por cima da chuva nossa de cada dia. Cidade fluvial e pluvial que cedo lhe roubaram as margens e a paisagem. Um muro a cerca e imobiliza. Belém é um veleiro encalhado.
E esta angústia que cada belenense sente na alma ao olhar a ocupação irregular da orla por madeireiras, velhos portos, tristes palafitas e enormes galpões de ferro provém do fato de que somos seres aquáticos, ribeirinhos de nascimento. O ritmo das marés, influência marítima distante, é o nosso relógio, mas querem nos impor um tempo diferente. Cerceiam o direito de ir, vir, nadar e navegar.
Sejas tu um peixe fora-d'água, muçum de vala ou caranguejo do mangue poluído te convido pra somar conosco nesta luta: Libertar a orla de Belém para o bem estar de seu povo. As janelas abertas nos alegram, mas são frestas diante da grande extensão. Queremos toda a orla livre!